terça-feira, 6 de dezembro de 2016

DO QUE MAIS PRECISO ME LEMBRAR?

DO QUE MAIS PRECISO ME LEMBRAR?
Por Airton Sousa
 
Todos os dias eu tenho a honra de caminhar durante quarenta minutos na ciclovia que construíram aqui no bairro. Nessa pista, enquanto faço minha caminhada vou refletindo, cantando e pensando. No meio do caminho eu subo as escadas que levam até a estação do trem, e foi lá de cima que percebi as primeiras cores do Natal.

O ano continua tendo 365 dias e cada dia continua tendo 24 horas, uma hora vale 60 minutos e cada minuto ainda tem 60 segundos, mas eu tenho a sensação de que, desta vez, o tempo exagerou e cuidou de passar muito rápido. Já tem panetone nas padarias e supermercados e hoje, data em que escrevo este texto, ainda é dia 14 de novembro!

Todas as manhãs, depois da caminhada, eu entro num trem que conduz centenas de passageiros até a Central do Brasil. Geralmente vou em pé, encostado na minha porta preferida, olhando a paisagem pelo vidro, enquanto leio um livro ou ouço algo no meu fone adquirido nesse mesmo trem, onde também se vendem pares de meias, doces e salgados, entre outras coisas.

Todos os dias, antes de sair de casa, tenho a oportunidade de estudar a Bíblia e orar. Se eu não faço o que a Bíblia me ensina, ou se não concordo ou não entendo, Deus não me chama de imbecil nem de burro. Na verdade, ele me chama de “filho” e na outra página me explica o que não entendi na página anterior.


Todos os dias, enquanto acontece tudo isso, eu me lembro da história de John. Você talvez não conheça o John. Permita-me contar pra você a sua história.

Ele havido servido no mar, como marinheiro da Marinha Real da Inglaterra. Aos vinte e poucos anos partiu para a África, onde se sentiu fascinado com o lucrativo comércio de escravos, e passou a ganhar a vida a bordo do Greyhound, um transatlântico navio negreiro.

John não era cristão. Ele ridicularizava o Evangelho e a Bíblia, andava em más companhias, zombava dos religiosos e duvidava da existência de Deus.

Mas teve uma noite em que houve uma grande tempestade. John acordou e sua cabine estava cheia de água; uma parte do seu navio estava danificada. Ele trabalhou a noite inteira bombeando água. Ele e os outros marinheiros lutaram para evitar que o navio afundasse, mas ele sabia que estava perdendo a batalha. Finalmente, depois que suas esperanças foram minguando, açoitadas pela tempestade, ele se atirou de joelhos no convés alagado e suplicou: “Senhor, tem piedade de todos nós!”.

Ali, naquele momento, ele recebeu a piedade que não merecia. O Greyhound e sua tripulação sobreviveram.

John nunca se esqueceu da misericórdia de Deus. Ele voltou para a Inglaterra onde se tornou um grande compositor de hinos. Estou falando de John Newton e você já cantou alguns dos hinos que ele escreveu. “Amazing Grace” é o seu mais famoso.

Durante quase 50 anos ele subiu aos púlpitos e encheu igrejas, contando a história do Salvador que vem ao nosso encontro em meio à tempestade.

Um ou dois anos antes de sua morte ele não enxergava mais, e estava perdendo a memória, mas não quis parar. Não podia parar.

Ele confessou que suas forças estavam acabando:
           
- A memória eu praticamente perdi, mas me lembro de duas coisas: eu sou um grande pecador e Jesus é um grande salvador.


Todos os dias passam, passam rápido demais. Algumas coisas ficam pra depois, outras ficam esquecidas, mas o importante mesmo é que eu tenho um grande salvador.

Do que mais preciso me lembrar?
                                                                           

”Porque a graça salvadora de Deus se há manifestado a todos os homens.” (Tito 2:11)

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